O ankh, antigo símbolo da vida.
Você sabe o que é um ankh?
Sim, aquele símbolo que vemos em todos sites de vampiros. E também quando o ilustrador precisa desenhar um personagem vampiro, existem 100% de chances dele desenhar em algum lugar o ankh, seja como tatuagem, ou como um pingente, pixação de parede, desenho de camiseta...
Ok, já sei mas... o que vem a ser um ankh?
Uma coisa é certa: o ankh não significa "vampiro", como eu escutei uma vez. O ankh é egípcio. E, ao que tudo indica, surgiu na Quinta Dinastia. Parece de alguma forma envolvido, ou associado, ao glifo de proteção mágica dos egípcios, o "sa".
É um hieróglifo encontrado largamente na arte do Egito Antigo. Ele aparece gravado nas colunas dos templos de Karnak, Edfu e em outros lugares. Pode-se vê-lo também gravado ou pintado em murais no Templo de Luxor, no Templo de Hatshepsut, Medinet Habu e outros, bem como em obeliscos e nas paredes de túmulos. Cenas vívidas pintadas em paredes de templos ou túmulos, devido a seu significado ligado à vida e morte, muitas vezes representam um deus estendendo o ankh ao faraó. Um exemplo disso está no túmulo de Amenhotep II onde vemos o ankh sendo-lhe entregue por Osíris.
A popularidade do símbolo se comprova através dos vários objetos do cotidiano moldados na forma do ankh: colheres, cetros e principalmente espelhos. Na tumba de Tutankhamun, um porta-espelho dourado foi encontrado na forma de um ankh num claro jogo de palavras, porque a palavra egípcia para espelho também é "ankh".
Os Deuses egípcios sempre o carregavam em uma das mãos, simbolizando o poder que eles próprios possuíam sobre a vida, como se eles fossem os mantenedores da mesma, atuando sobre a origem e o princípio de tudo. No Vale dos Reis existe uma reveladora pintura retratando uma procissão de deuses, todos eles carregando um ankh. Durante o período de Amarna, o ankh foi desenhando como sendo entregue nas mãos de Akenathon e Nefertiti pelos raios que desciam do disco solar, Aton. Desde então o ankh não apenas significava a vida mundana, mas também a vida no mundo dos mortos. Existia também uma entidade dos mortos chamada de ankhu, e o termo para sarcófago era neb-ankh, "dono da vida". As pessoas comuns carregavam este símbolo como um amuleto para a longevidade. Será que daí veio a conexão com a imortalidade dos vampiros?
Acima: Amenhotep II recebe a vida de Anubis no Vale dos Reis e Nefertari também a recebe de Isis, no vale das Rainhas.
Os outros nomes do símbolo
A cruz egípcia, cruz ansata, "a cruz com um laço", Nó de Ísis, dentre outros, são os nomes que também designam esse misterioso símbolo. E várias são as teorias que tentam desvendar a origem do ankh. Muitos o vêem como a representação do útero, com seu topo arredondado, símbolo de vida e fertilidade. Ou como o nascer do Sol, com o laço representando o astro-Rei subindo por sobre o horizonte, que é a linha transversal. O ankh também é conhecido como a Chave do Nilo, representando a união entre Osíris e Ísis, que originava as cheias periódicas do Nilo, fundamentais para a sobrevivência do povo egípcio. Aí também entra a lenda da deusa Anuket, que por ser conhecida como Anka, deu origem à palavra ankh, "a chave da vida".
O significado do ankh se liga fundamentalmente aos conceitos de vida e morte, ou melhor, de vida eterna (Nem Ankh). É neste sentido que ele é tradicionalmente representado com as divindades egípcias, sendo segurado pelo círculo como uma chave, uma chave que abriria os portões da Vida e da Morte.
Quando da época da cristianização do povo egípcio em torno do século III, os convertidos ficaram conhecidos como cristãos cópticos, e adotaram o Ankh como seu símbolo, por sua semelhança com a cruz dos cristãos, daí aparece outro nome pra ele: cruz cóptica.
Posteriormente, contudo, o símbolo veio a ser proscrito e identificado com paganismo, ocultismo e satanismo, sendo ainda contemporâneamente considerado um símbolo diabólico por muitos, em parte devido ao uso dele pelo movimento ocultista em fins do século XIX e pela Nova Era, a partir da década de 60. Era utilizado em rituais de encantamento, fertilidade e divinação, simbolizando o desprezo da virgindade, a troca da parceiros conforme a escolha pessoal. O movimento Nova Era ensina que a sexualidade é a parte que purifica o ser humano, eleva o espírito e embeleza o corpo. É a volta ao paganismo antigo, cujos deuses promoviam as danças com barulho excessivo, as orgias e a prostituição ritual.

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